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29 de outubro de 2012

4 Trim_2012_Lição 5: Obadias — O princípio da retribuição


Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2012 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Os Doze Profetas Menores — Advertências e consolações para a santificação da Igreja de Cristo.
Comentarista: Esequias Soares.
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração, pesquisa e postagem no Blog: Francisco A Barbosa.

LIÇÃO 05
Obadias — O princípio da retribuição

04 de novembro de 2012

TEXTO ÁUREO

“Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça” (Ob 1.15).

VERDADE PRÁTICA

Obadias mostra que a lei da semeadura e o princípio da retribuição constituem uma realidade da qual ninguém escapará.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Obadias 1.1-4,15-18


OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·         Conceituar soberania divina e livre arbítrio.
·         Elencar os elementos contextuais do livro de Obadias.
·         Saber o princípio da retribuição divina

Palavra Chave
Soberania: Qualidade ou condição de soberano. Do lat. superanus”, um adjetivo qualificativo derivado de “super”, que significa “sobre”. “Soberano” é, portanto, aquele que está “sobre” algo ou alguém; Nesta lição, autoridade inquestionável que Deus exerce sobre todas as coisas criadas no céu e na terra.

COMENTÁRIO

introdução

A afirmação de que Deus é absolutamente soberano na criação, na providência e na salvação é básica à crença bíblica e ao louvor bíblico. A visão de Deus reinando de seu trono é repetida muitas vezes (1Rs 22.19; Is 6.1; Ez 1.26; Dn 7.9; Ap 4.2; conforme Sl 11.4; 45.6; 47.8-9; Hb 12.2; Ap 3.21). Somos constantemente lembrados, em termos explícitos, que o SENHOR reina como rei, exercendo o seu domínio sobre grandes e pequenos, igualmente (Êx 15.18; Sl 47; 93; 96.10; 97; 99.1-5; 146.10; Pv 16.33; 21.1; Is 23.23; 52.7; dn 4.34-35; 5.21-28; 6.26; Mt 10.29-31). O domínio de Deus é total: ele determina como ele mesmo escolhe e realiza tudo o que determina, e nada pode deter seu propósito ou frustrar os seus planos. Ele exerce o seu governo no curso normal da vida, bem como nas mais extraordinárias intervenções ou milagres. Obadias é um livro pequeno, mas que apresenta uma grande verdade: Deus retribui as ações arrogantes do homem no devido tempo. Não importa quanto tempo se passe desde que ajamos de forma perversa com as pessoas que nos cercam: nossos atos não ficam impunes diante de Deus. Tenham todos uma excelente e abençoada aula!

I. A SOBERANIA DE DEUS

1. Conceito. A soberania divina é a garantia de que as promessas de Deus jamais falham e a análise desta prerrogativa do Senhor é importantíssima para o fortalecimento de nossa fé. A soberania de Deus recebe forte ênfase na Escritura. Ele é apresentado como o Criador, e Sua vontade como a causa de todas as coisas. Em virtude de Sua obra criadora, o céu, a terra e tudo o que eles contêm Lhe pertencem. Ele está revestido de autoridade absoluta sobre as hostes celestiais e sobre os moradores da terra. Ele sustenta todas as coisas com a Sua onipotência, e determina os fins que elas estão destinadas a cumprir. Ele governa como Rei no sentido mais absoluto da palavra, e todas as coisas dependem dele e Lhe são subservientes. As provas bíblicas da soberania de Deus são abundantes, mas aqui nos limitaremos a referir-nos a algumas das passagens mais significativas: Gn 14.19; Ex 18.11; Dt 10.14, 17; 1 Cr 29.11, 12; 2 Cr 20.6; Ne 9.6; Sl 22.28; 47.2, 3, 7, 8; Sl 50.10-12; 95.3-5; 115.3; 135.5, 6; 145.11-13; Jr 27.5; Lc 1.53; At 17.24-26; Ap 19.6. Dois dos atributos requerem discussão sob este título, a saber, (1) a vontade soberana de Deus, e (2) o poder soberano de Deus (Louis Berkhof – Teologia Sistemática – p. 68). O chefe de família diz: Não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? e o Deus dos céus e da terra te faz esta mesma pergunta nesta manhã. Não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Não existe atributo de Deus que ofereça mais conforto aos seus filhos do que a doutrina da Soberania Divina. Nas circunstâncias mais adversas, nas mais severas inquietações, eles crêem que a Soberania ordenou as suas aflições, acreditam que ela as governa e os santificará completamente.[ C.H. Spurgeon]. Questionar a moralidade das ações divinas é inadequado. As criaturas não têm o direito de objetar ao que seu Criador faz. Este ensinamento jamais deveria nos levar a pensar que uns são mais dignos que outros, mas sim, que o Criador controla toda a criação. Não há base para o ensino que afirma que podemos exigir de Deus, ou de alguma forma ‘pressioná-Lo’ a fazer algo. A criatura não tem o direito de exigir nada do seu Criador visto que sua existência depende dEle. O domínio de Deus é total: ele determina como ele mesmo escolhe e realiza tudo o que determina, e nada pode deter seu propósito ou frustrar os seus planos. Ele exerce o seu governo no curso normal da vida, bem como nas mais extraordinárias intervenções ou milagres. Para os calvinistas não há livre arbítrio, mas sim, livre agência. “Livre-arbítrio”, tem sido definido, como a capacidade dada ao homem, por ocasião de sua criação, para escolher entre o bem e o mal, entre agradar a Deus ou desobedecê-Lo. Seria o “livre poder de eleger o bem ou o mal”. “Livre Agência ou Capacidade de Escolha: Existe no homem uma capacidade tal que lhe dá condições de fazer escolhas, de acordo com o que lhe é agradável. O homem sempre e em qualquer condição, faz as suas escolhas, de tal forma que ele é responsabilizado por elas. “Essa capacidade ou aptidão é um aspecto inalienável da natureza humana normal”. Ele é livre para escolher o que lhe agrada, de acordo com suas inclinações. Sobre este aspecto da existência humana a CFW diz o seguinte: “Deus dotou a vontade do homem com tal liberdade natural, que ela nem é forçada para o bem nem para o mal, nem a isso determinada por qualquer necessidade absoluta de sua natureza.” (Tg 1.14; D. 30.19; Jo 5.40; Mt 17.12; At 7.51; Tg 4.7).
2. Livre-arbítrio. As criaturas racionais de Deus, angélicas ou humanas, gozam de livre arbítrio, isto é, têm o poder de tomar decisões pessoais quanto àquilo que desejam fazer. Não seríamos seres morais, responsáveis perante Deus, o Juiz, se não fosse assim. Nem seria possível distinguir – como as Escrituras fazem – entre os maus propósitos dos agentes humanos e os bons propósitos de Deus, que soberanamente, governa a ação humana como meio planejado para seus próprios fins (Gn 50.20; At 2.23; 13.26-39). Contudo, o fato da livre ação nos confronta com um mistério. O controle de Deus sobre os nossos atos livres – atos que praticamos por nossa própria escolha – é tão completo como o é sobre qualquer outra coisa. Mas não sabemos como isso pode ser feito. Apesar desse controle, Deus não é e não pode ser autor do pecado. Deus conferiu responsabilidade aos agentes morais, no que concerne aos seus pensamentos, palavras e obras, segundo a sua justiça. O Sl 93 ensina que o governo soberano de Deus (a) garante a estabilidade do mundo contra todas as forças do caos (vs. 1-4); (b) confirma a fidedignidade de todas as declarações e ensinos de Deus (v. 5) e (c) exige a adoração do seu povo (v. 5). O salmo inteiro expressa alegria, esperança e confiança no Todo-Poderoso. (Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 991). Calvino disse o seguinte acerca da situação do homem: As Escrituras atestam que o homem é escravo do pecado; o que significa que seu espírito é tão estranho à justiça de Deus que não concebe, deseja, nem empreende coisa alguma que não seja má, perversa, iníqua e impura; pois o coração, completamente cheio do veneno do pecado, não pode produzir senão os frutos do pecado. O homem, após a queda não possui mais o livre-arbítrio, não pode mais escolher algo que é contrário a sua natureza pecaminosa. Ele está morto, cego, é escravo do pecado. Esta doutrina defendida pelos calvinistas, pelos reformados, que por sua vez é negada pelos arminianos, não se trata apenas de uma posição teológica diferente, e sim de afirmação bíblica. Nega-la é o mesmo que renunciar a Palavra de Deus neste assunto.

SINOPSE DO TÓPICO (I)
O livre-arbítrio não nega a soberania divina; pelo contrário, a confirma.

II. O LIVRO DE OBADIAS

1. Contexto histórico. Obadias não tem uma história pessoal. Sem dúvida o seu nome, (nome teofórico, עבדיה, Ovadyah, "Servo ou Cultuador de YHWH"), é sugestivo. Esse era um nome muito comum entre os semitas, especialmente após o cativeiro. Obadias ou Abdias é um profeta do Antigo Testamento, parte dos "Profetas Menores" (o quarto, na ordem do cânon hebraico e da Vulgata Latina, e o quinto na Tradução dos Setenta, a Septuaginta). É o menor livro do Antigo Testamento, tem apenas 21 versículos. Obadias é um profeta de Deus que usa esta oportunidade para condenar Edom pelos pecados contra Deus e Israel. Os edomitas são descendentes de Esaú e os israelitas são descendentes de seu irmão gêmeo, Jacó. A briga entre os irmãos tem afetado seus descendentes por mais de 1.000 anos. Esta divisão causou os edomitas a proibir que Israel atravessasse as suas terras durante o êxodo dos israelitas do Egito. Os pecados de orgulho por parte de Edom exigem agora uma forte palavra de julgamento do Senhor.
2. Estrutura e mensagem. O seu livro, constituído por apenas 21 versículos, é o menor do Antigo Testamento e trata do tema da falta de solidariedade do povo de Edom (descendentes de Esaú - Genesis 36.1) para com Israel, considerado como seu povo irmão. O livro se divide em duas partes: o "Profecia contra Edom" e a "Proclamação do Dia de YHWH". Assim, toda a mensagem de Obadias pode ser resumida em duas frases: 1. A destruição de Edom (versos 1-16). 2. A restauração de Israel (versos 17-21). Sem dúvida o profeta dirige suas palavras, não tanto como uma admoestação a Edom, mas como uma mensagem de consolo a Israel. O livro pode ser assim dividido: 1. A ruína de Edom, mesmo estando abrigada com segurança em meio às serras rochosas (Versos 1-9). 2. Os motivos, isto é, a sua crueldade com Israel e o seu regozijo pela adversidade de Judá (Versos 10-14). 3. A retribuição divina a Edom e a restauração de Israel.
3. Posição no Cânon. No Hebraico ele é o quarto, seguindo esta ordem: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, etc. No Grego ele é o quinto: Oséias, Amós, Miquéias, Joel, Obadias, Jonas, etc. Isso mostra claramente que os organizadores do Cânon (200 a.C) consideravam Obadias como primitivo.

SINOPSE DO TÓPICO (II)
Com apenas vinte e um versículos, Obadias é o livro mais curto do Antigo Testamento.

III. EDOM, O PROFANO

1. Origem. Edom (hebreu : אֱדוֹם, Edom, ʾĔḏôm, "vermelho") é um nome dado a Esaú na Bíblia Hebraica, bem como à nação descendente dele. O nome da nação latim, Idumæa ou Idumea, de onde vem o termo português Idumeia. Os edomitas foram um grupo tribal vizinhos de Judá ao sul, de língua semítica habitantes do Deserto de Negev e do vale de Arabá do qual é hoje o sul do Mar Morto e vizinho ao Jordão. A região tem muitos arenitos avermelhados, o que pode ter levado à origem do nome "Edom". A nação de Edom é conhecida por ter sobrevivido aos séculos VIII e IX a.C, e a Bíblia o data muitos séculos antes desses. Provas arqueológicas recentes podem indicar uma nação Edomita tão antiga quanto ao Século XI a.C. Os edomitas eram nômades ou semi-nômades semitas, que se estabeleceram no sul do território do rio Zered, na margem sudeste do Mar Morto. Seu território erguia-se sobre uma longa elevação de mais de cinco mil pés de altura, onde a altitude lhe garantia a chuva necessária para praticar a agricultura ao longo da crista do planalto. Gn 36.1, 8, 19 e 43 liga os edomitas com o caçador Esaú, afirmando: “Assim Esaú estabeleceu-se na montanha de Seir. Esaú é Edom” (Gn 36.8). Em Am 1.11, Edom é rejeitado porque perseguiu seu irmão de Israel: “Assim falou Yahweh: pelos três crimes de Edom, pelos quatro não o revogarei! Porque perseguiu à espada o seu irmão...” Talvez aqui se encontre uma referência a Gn 25.21-24, onde Esaú e Jacó lutavam dentro de Rebeca, antes mesmo de nascer. Em Ml 1.2-4 encontra-se também esta referência à luta entre Esaú e Jacó, sendo Jacó o amado de Yahweh e Esaú o rejeitado: “Não era por acaso Esaú irmão de Jacó? – oráculo de Yahweh. Contudo, eu amei Jacó e odiei a Esaú. Eu fiz de suas montanhas um deserto, e de sua herança, pastagens da estepe. Se Edom disser: ‘Fomos destruídos, mas reconstruiremos as ruínas’, assim diz Yahweh dos exércitos: ‘Eles construirão e eu demolirei!’Chamá-los-ão: ‘Território da impiedade’ E o povo contra quem Yahweh está irado para sempre” (Ml 1.2-4). Em Dt 2.12-22 e Gn 14.6 e 36,21s encontramos a afirmação de que os edomitas expulsaram aos horitas de seu território. Ora, este território, ocupado pelos edomitas, se estendia ao sul do Mar Morto pelos dois lados, desde ،ãrābā até o golfo de el-،aqaba. Historicamente, houve choques entre os israelitas e os edomitas, já que o grande caminho comercial e as minas de metal importantes se encontravam em território edomita (cf. Nm 20.17; 21.22). Nos escritos reais assírios, os edomitas aparecem com o nome de udumu, no tempo de Adadnirani III (séc. VIII a.C.), porém nos escritos babilônicos não há menção dos edomitas. No entanto, os textos de Jr 27.3; 49.7-12 e Ez 32.29 dão a entender que os edomitas foram submetidos por Nabucodonosor[a].
2. O Deus soberano. “Sabei que o SENHOR é Deus…” (Sl. 100:3). Não são essas palavras do salmista a expressão da fé de todo verdadeiro filho de Deus? O cristão crê que o seu Deus de fato é DEUS. Ele é o Deus absolutamente soberano dos céus e da terra. Ele é aquele que criou o mundo por seu poder soberano. Ele é aquele que mesmo agora sustenta o mundo e tudo o que nele há. Ele é aquele que soberanamente governa e dirige todos os assuntos do mundo, por seu conselho eterno e poder onipotente. Até o homem está absolutamente sujeito à sua vontade. Ninguém pode frustrar a vontade de Deus, nem pode alguém questionar os seus caminhos e obras. Ele é aquele que é Deus também na salvação. Ele salva seu povo soberanamente. Na eternidade escolheu aqueles a quem salvaria. No tempo ele somente aplica a obra de Cristo ao seu povo, e os leva à vida eterna na glória. Assim, o filho de Deus declara: “Quem é Deus tão grande como o nosso Deus? Tu és o Deus que fazes maravilhas…” (Sl 77.13-14). De fato, “o SENHOR é Deus” [b].
3. Preparativos do assédio a Edom (v.1c). Deus convoca as nações para se levantarem contra Edom em batalha. (V 1). Apesar de sua posição aparentemente segura, far-se-á que Edom desça. (Vs 2-4). Ladrões ou ceifeiros levariam apenas o que desejassem e deixariam algo para trás; quando Edom cair, ele será completamente saqueado; será enganado por aqueles com quem entrou num pacto, e seus sábios e poderosos sofrerão destruição. (Vs 5-9) A casa de Esaú receberá a mesma espécie de tratamento que dispensou a Judá; a casa de Esaú deixará de existir. (Vs 15, 18)
4. O rebaixamento de Edom. O hebraico bíblico tem um tempo verbal que se chama "perfeito profético", que usa o tempo passado para descrever coisas futuras quanto ao que Deus prometeu. Assim Davi diz: "Esta é a casa do Senhor Deus" (1 Cr. 22:1), ainda quando o templo havia sido prometido por Deus. Tal era sua fé naquela palavra prometida que Davi usou o tempo presente para descrever coisas futuras. A Escritura está repleta de exemplos da presciência de Deus. Deus estava tão certo de que Ele cumpriria suas promessas a Abraão, que lhe disse: "À tua descendência dei esta terra..." (Gn. 15:18) em uma época em que Abraão nem sequer tinha semente. Neste mesmo período, antes que a semente (Isaque/Cristo) nascesse Deus prometeu: "Por pai de muitas nações te tenho posto" (Gn. 17:5). Verdadeiramente, Deus "chamou aquelas coisas que não eram como se fossem".
5. O orgulho leva à ruína. O motivo da profecia foi o tratamento ‘nada fraterno’ que os edomitas dispensaram aos “filhos de Judá” quando estes sofreram derrota. Os edomitas, através de seu ancestral, Esaú, eram aparentados aos israelitas. Os edomitas regozijaram-se com a calamidade de Judá, participaram em tomar despojos dos judeus, impediram-nos de fugir da terra e até os entregaram ao inimigo. (Ob.12-14) Como fica evidente numa comparação da profecia de Obadias com as palavras de Jeremias (25:15-17, 21, 27-29; 49:7-22) e de Ezequiel (25:12-14; 35:1-15), isto deve ter acontecido por ocasião da destruição de Jerusalém pelos exércitos babilônios e, por conseguinte, situaria a composição do livro por volta do ano 607 aC.

SINOPSE DO TÓPICO (III)
A arrogância humana e a soberba espiritual levaram os edomitas à ruína.

IV. A RETRIBUIÇÃO DIVINA

1. O princípio da retribuição. Retribuição significa “pagar na mesma moeda”. Tal princípio acha-se na Lei de Moisés (Êx 21.23-25; Lv 24.16-22; Dt 19.21). Esta lei encontra paralelo na A lei de talião, do latim lex talionis (lex: lei e talio, de talis: tal, idêntico), também dita pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. Esta lei é frequentemente expressa pela máxima olho por olho, dente por dente. É uma das mais antigas leis existentes.
2. O castigo de Edom. Embora irmãos, contudo, sempre inimigos dos judeus, perpetuando assim o ódio de Esaú contra Jacó em Gênesis 27.39-41. Recusaram passagem a Moisés (Números 20.14-21), e estavam sempre prontos a ajudar os inimigos de Israel. Obadias, nos vv. 12-14, cita oito atos pecaminosos praticados pelos edomitas contra os judeus no saque de Jerusalém. Edom age com grande ódio contra Israel, derramando sangue inocente (Jl. 3:19). O profeta Amós, nos dias do rei Uzias, acusa-lhe gravemente ao dizer: "Perseguiu à espada a seu irmão, e violou todo afeto natural; o seu furor conservou para sempre, e perpetuamente guardou rancor" (1.11). Mais tarde o profeta Jeremias acusa Edom de arrogância e soberba. O fato de habitar nos lugares altos tinha feito o seu coração enaltecer como as águias (Jer. 49:16). Quando Israel cai nas mãos de Nabucodonosor, Edom se alegra. O mesmo Jeremias o adverte no seu livro de Lamentações (4:21); e não somente isso, pois aproveitou a oportunidade para tomar vingança das antigas ofensas (Ez. 25:12). A reclamação mais sentida, no entanto, faz o profeta Obadias. Mas não é somente o profeta que fala: é o próprio Deus. Edom tem fracassado uma e outra vez em seu afeto fraternal, e agora Deus lhe cobra a conta. Escárnio, orgulho, roubo, e crueldade exerceu malignamente Edom contra o seu irmão Israel. “Como tu fizestes, assim se fará contigo; a sua recompensa tornará sobre a tua cabeça" (v. 15). O castigo a Edom é a sentença de Deus sobre a falta de amor fraternal, em todo tempo, também –e sobre tudo– no nosso, mais para cá da cruz. Não só o roubo e a crueldade, mas também a ira contra o irmão (Mt 5.22) é razão suficiente para que Deus nos ponha no mesmo triste lugar de Edom.
3. Esaú e Jacó (v.18). A Palavra de Deus nos mostra a realidade de gêmeos que lutavam no ventre da mãe. Vemos de forma maravilhosa o Senhor de forma soberana, declarando a Rebeca mais uma vez os seus intentos: “Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço”.

SINOPSE DO TÓPICO (IV)
A verdadeira adoração não consiste em rituais externos ou em cerimônias litúrgicas, mas no espírito quebrantado e num coração contrito.

CONCLUSÃO
As condições de nossa época exigem em altos brados um reexame e nova apresentação da onipotência, da suficiência e da soberania de Deus. É necessário que se proclame vigorosamente que Deus continua vivo, continua observando, continua reinando. A nossa fé está sendo testada, a cada dia, e o homem precisa aprender que o coração e a mente não encontram lugar de descanso satisfatório, exceto no firme conhecimento de que Deus está entronizado. A paz se acha onde Deus é Deus, onde Deus é Soberano! Com Edom, aprendemos que colhemos o que plantamos e na proporção que plantamos: “Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará” (2Co 9.6). Há um tempo entre a semeadura e a ceifa: “Disse também: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como. A terra por si mesma produz fruto, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga. Mas assim que o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa”(Mc 4:26-29). Sabedores dees lei espiritual, devemos perseverar em plantar boas sementes bem como, arrancar as sementes ruins antes que germinem (Ec 11.6; Ec 3.2).
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Recife, PE
Outubro de 2012,
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere.


EXERCÍCIOS
1. O que é a soberania divina?
R. É o direito absoluto de Deus governar totalmente as suas criaturas segundo a sua vontade.
2. Qual o tema do livro de Obadias?
R. O julgamento divino contra Edom.
3. Quem é o pai dos edomitas?
R. Esaú.
4. O que significa o uso do “perfeito profético”?
R. Um recurso retórico que consiste em um acontecimento futuro, que é descrito como seja tivesse sido cumprido.
5. Como Charles L. Feinberg classifica os versículos 10 a 14 de Obadias?
R. “Boletim de ocorrência” dos crimes cometidos pelos edomitas contra os judeus.


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja; Comentarista: Claudionor de Andrade; CPAD;

- Louis Berkhof – Teologia Sistemática – p. 68
- Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 991
[a]
http://www.metodista.br/arqueologia/artigos/jordania-petra-e-os-nabateus;
[b] http://www.monergismo.com/textos/soberania_divina/soberania-Deus-salmos_houck.pdf

OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
- HARRISON, R. K. Tempos do Antigo Testamento: Um Contexto Social, Político e Cultural. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.
- MENZIES, W. W.; HORTON, S. M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 5 ed., RJ: CPAD, 2005..

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/, na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa

22 de outubro de 2012

LIÇÃO 04 Amós — A justiça social como parte da adoração


Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2012 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Os Doze Profetas Menores — Advertências e consolações para a santificação da Igreja de Cristo.
Comentarista: Esequias Soares.
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração, pesquisa e postagem no Blog: Francisco A Barbosa.

LIÇÃO 04
Amós — A justiça social como parte da adoração

28 de outubro de 2012

TEXTO ÁUREO

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrares no Reino dos céus” (Mt 5.20). – A entrada no Reino é feita mediante a justiça do coração, e não por um legalismo extremo e hipócrita. Essa justiça somente é possível por meio do reino pessoal do Messias, que as beatitudes pressupõem estar ativo para aqueles que o aceitaram. [a]

VERDADE PRÁTICA

Justiça e retidão são elementos necessários e imprescindíveis à verdadeira adoração a Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Amós 1.1; 2.6-8; 5.21-23


OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·         Dissertar a respeito da vida pessoal de Amós e a estrutura do livro.
·         Saber que a justiça social é um empreendimento bíblico.
·         Apontar a política e a justiça social como elementos de adoração a Deus

Palavra Chave
Adoração: Rendição a Deus em todas as esferas da vida.

COMENTÁRIO

introdução

Pastor de ovelhas em Judá, Amós recebeu um pesado fardo (Amós (עמןס)=Aquele que suporta o jugo): foi enviado por Deus para a nação de Israel, durante o reinado próspero de Jeroboão II, para alertar o povo que Deus estava prestes a destruí-los. Sua mensagem parecia sem sentido, numa nação que gozava prosperidade, paz e segurança. O povo ficou perturbado pela sombria mensagem deste pregador estrangeiro. Até mesmo os líderes religiosos, que deveriam compartilhar a nobre missão de Amós, rejeitaram-no e a sua pregação. Foi aconselhado pelo sacerdote Amazias para que voltasse para Judá e que nunca mais profetizasse em Israel (7.10-13). Amós replicou: "Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel. Ora, pois, ouve a palavra do Senhor. Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de Isaque. Portanto, assim diz o Senhor...." (7:14-17). Amós não foi criado para ser um profeta. Ele não recebeu treinamento especial em alguma escola para formar profetas. Ele era apenas um homem comum, que proclamou uma mensagem de Deus. Reis e sacerdotes não gostaram de sua mensagem, mas era a verdade. Atual, o livro de Amós tem lições para hoje. Tenham todos uma excelente e abençoada aula!


I. O LIVRO DE AMÓS

1. Contexto histórico. Natural de Técoa, situada nas colinas do reino de Judá, distante cerca de 8 km ao sul de Belém e a 16 km de Jerusalém, era pastor e também cultivava sicómoros (1.1; 7.14) (Ficus sycomorus, conhecida pelos nomes comuns de sicômoro ou figueira-doida, é uma espécie de figueira de raízes profundas e ramos fortes que produz figos de qualidade inferior, cultivada no Médio Oriente e em partes da África há milênios. A árvore é por diversas vezes citada na Bíblia, tendo o seu nome vulgar na maioria das línguas europeias derivado do hebraico "shikmah" através do grego "sukomorea). Aparentemente, o seu trabalho de pastor faz dele uma pessoa pobre e inculta. Mas, lendo o seu livro, fica claro que ele conhecia bem a geografia e certos acontecimentos em nações vizinhas, a História sagrada de Israel e toda a problemática social, política e religiosa de Israel. Ele era um homem de família humilde. Ele profetizou durante os reinados de Uzias, rei de Judá, e foi contemporâneo de Isaías e Oséias, que viveram alguns anos a mais que ele. Sob Jeroboão II, o reino de Israel atingiu o máximo de sua prosperidade, mas isto foi acompanhado do aumento da luxúria, do vício e da idolatria. Neste momento, Amós foi convocado por Deus para lembrar ao povo da sua Lei, da retribuição da sua justiça e para chamar o povo ao arrependimento. Seu ministério foi realizado entre 760 e 750 a.C. e parece ter ocorrido em menos de dois anos.
2. Vida pessoal. Amós era um homem de diversos ofícios: pastor (1.1), boieiro e colhedor de sincomoros (7.14). Embora tenha vivida num meio rural e aparentemente isolado de conhecimento, ele certamente conhecia as nações vizinhas e estava familiarizado com o contexto histórico internacional (1.3-2.3). Também conhecia do povo da aliança de Deus e a própria aliança, como o demonstram suas inúmeras referencias à Lei. Amós não estudou para ser profetas (7.14), mas o Senhor soberanamente o chamou para esse ofício. Seu ministério foi voltado, principalmente, para o reino do norte, Israel (7.15), cujo centro religioso era Betel, embora suas profecias também tenham sido endereçadas aos pecados de Judá (2.4,5; 9.11). Ele foi o primeiro dos assim chamados profetas escritores do século VIII a.C.
3. Estrutura e mensagem. Amós mostra como o pecado trazia uma situação de violência, corrupção e injustiça social sem medida na sociedade israelita e que, apesar da prosperidade material vivida, Deus chamaria o povo para um acerto de contas, como acabou ocorrendo. Depois do título (1.1) e de um breve prólogo (1.2), o livro de Amós pode ser melhor divido em quatro partes:
I. Oráculos contra sete nações vizinhas de Israel e contra Judá e Israel (1.3-2.16);
II. Oráculos contra Israel (3.1-6.14). Nesta parte encontram-se as principais críticas de Amós contra a corrupção social e religiosa e o anúncio do castigo (3.13-15; 5.1-3;16-20; 6.8-14);
III. Castigos divinos (7.1-9,10). São cinco visões, das quais as primeiras quatro começam com a mesma fórmula e a quinta é diferente. No meio das visões encontra-se a narração da expulsão de Amós do santuário de Betel (7.10-17) e outros oráculos (8.1-14; 9.7-10); e
IV. Esperança messiânica como oráculo de salvação (9.11-15). O livro é quase todo em poesia, excetuando o primeiro versículo do Capitulo 1, todo o capítulo 7 e os três primeiros versículos do Capitulo 8. É preciso lê-lo como um poema e ter alma de poeta para o interpretar. Esta receita aplica-se, aliás, a quase todos os textos proféticos e a muitos outros textos bíblicos.

SINOPSE DO TÓPICO (I)
O livro do profeta Amós pode ser dividido em duas partes principais: oráculos provenientes pela palavra (1-6) e pelas visões (7-9).

II. POLÍTICA E JUSTIÇA SOCIAL
1. Mau governo. Os profetas frequentemente interferiam na vida da monarquia. Aías informou a Jeroboão I que Deus iria rasgar o reino de Salomão e que Jeroboão governaria as dez tribos (1Rs 11.29-32). Um profeta ungiu Jeú como rei de Israel e o instruiu a destruir a casa de Acabe (2Rs 9.610). As implicações políticas da pregação de Amós são aparentes. Jeremias Também foi erradamente considerado um traidor por causa de suas profecias contra Judá (Jr 26.11; 37.11-13; 38.1-6). Amós mostra como o pecado trazia uma situação de violência, corrupção e injustiça social sem medida na sociedade israelita e que, apesar da prosperidade material vivida, Deus chamaria o povo para um acerto de contas, como acabou ocorrendo. Apesar de sua mensagem contundente, o profeta foi expulso do reino de Israel e esta rejeição do profeta representou a rejeição da própria mensagem divina, selando, assim, o destino trágico daquelas tribos, até hoje conhecidas como as “dez tribos perdidas de Israel”.
2. A justiça social. Quando Amós começou a profetizar, Israel e Judá viviam época de prosperidade material. Ambos os reis, Uzias e Jeroboão II, haviam trazido prosperidade aos seus povos (2Rs15. 25-28; 2Cr 26.1-15). Apesar de toda esta opulência material, o povo estava a pecar e, por causa da situação favorável, achava que o pecado não tinha importância alguma, que jamais deixaria de ter os favores divinos, de desfrutar da graça e da misericórdia de Deus, que havia Se manifestado particularmente para o reino do norte (2Rs15. 26,27). Começando no capítulo 2, Amós começa a pronunciar os juízos contra o povo de Israel; a opulência material não havia sido acompanhada de uma distribuição de renda, de uma distribuição de riquezas e o resultado tinha sido o surgimento de uma situação de gritante desigualdade social, sendo que os que haviam enriquecido não só não estavam a distribuir com os pobres, mas tinham tomado o nítido propósito de enriquecer ainda mais, tomando o que os pobres tinham. Lutar por uma sociedade mais justa é, para este profeta, o meio de escapar do castigo: “Buscai o Senhor e vivereis” (5.6); “Buscai o bem e não o mal” (5.14).
3. O pecado. Segundo Amós, o luxo e a ostentação da riqueza, a exploração dos pobres e dos oprimidos, a fraude e todo o tipo de injustiças sociais, o culto sem o necessário compromisso ético, o sincretismo religioso e as falsas seguranças apoiadas na eleição de Israel são contrárias ao plano de Deus na História. E, como Deus não tolera todos os abusos, a única forma de fazer o povo sentir estes males é o castigo por meio da invasão militar - algumas décadas mais tarde (em 722), as tropas assírias conquistam a Samaria e o Reino de Israel desaparece do mapa. A expressão: “Por três transgressões de Israel e por quatro, não retirarei o castigo” (2.6) refere-se não à numeração matemática, mas é máxima comum na literatura semítica (veja fraseologia similar em Jó 5.19; 33.29; Ec 11.2; Mq 5.5,6). Nesse texto, significa que a medida da iniquidade está cheia e não há como suspender a ira divina. Começa afirmando que “o Senhor bramará de Sião e de Jerusalém dará a Sua voz; nas habitações dos pastores haverá pranto e se secará o cume do Carmelo” (Am1:2).

SINOPSE DO TÓPICO (II)
O senso de justiça cristã expressa o pensamento da lei e dos profetas que, por sua vez, é parte do grande mandamento de Jesus Cristo

III. INJUSTIÇAS SOCIAIS

1. Decadência social (2.6). A sociedade israelita à época de Amós em nada diferia da nossa, sendo mesmo uma figura da atual. O Senhor aponta que em Israel se “vendia um justo por dinheiro e um necessitado, por um par de sapatos” (Am 2.6). Israel é culpado de Injustiça social, imoralidade sexual e abusos religiosos. Possuía um sistema judicial corrupto. Os juízes dispunham-se a condenar os inocentes mediante o pagamento de subornos. “Par de sapatos” pode significar um “preço barato”. Por outro lado, visto que um sapato fazia parte das transações de terras (Rt 4.7-8), talvez a pessoa seja vendida em troca da terra.
2. Decadência moral. “Um homem e seu pai coabitam com a mesma jovem e, assim, profanam o meu santo nome” (2.7). Talvez aqui haja uma referencia à prostituição cultual, mas também pode referir-se a uma mulher escrava, que é forçada a ser uma concubina tanto para um homem como para seu pai. Ambos são proibidos pela Lei (Lv 18.21; 19.12; Jr 34.16). Amós denuncia a conduta sexual descontrolada.
3. Decadência religiosa. A expressão “qualquer altar” (2.8) refere-se à entrega deles ao culto pagão de prostituição da fertilidade ao lado dos altares, profanando assim o nome do Senhor. Havia muitos altares em Israel, incluindo aqueles de Betel (3.14), Dã (8.14) e Gilgal (Os 12.11). Seus pecados de licenciosidade sexual e idolatria somavam-se ao fato de dormirem sobre roupas tomadas como garantia por empréstimos, por parte dos pobres. A recomendação da Lei é que tais vestes não deveriam ser retidas durante a noite (Êx 22.26; Dt 24.12,13). O comércio sexual entre uma prostituta e seu cliente envolvia um valor pecuniário estabelecido entre a mulher e o seu amante (Gn 31.16). O salário de uma prostituta, do hebraico ’etnam, lit. “paga de prostituta”, e do keleb eram abomináveis para Yahweh e, portanto, proibido o recebimento do mesmo na Casa do Senhor (Dt 23.18) [ Para saber mais, leia o artigo A Prostituição Sagrada no Antigo Testamento, de BENTHO, Esdras C., disponível no Blog Teologia e Graça]

SINOPSE DO TÓPICO (III)
As injustiças sociais no livro de Amós são representadas pelas decadências social, moral e religiosa.

IV. A VERDADEIRA ADORAÇÃO

1. Adoração sem conversão. A despeito de sua baixa condição moral e espiritual, o povo continuava a oferecer o seu culto a Jeová com rituais e sacrifícios vazios e sem arrependimento: “Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes”. (5.21). Aborreço, desprezo, dois termos hebraicos combinam-se aqui para exprimir com mais ênfase a atitude do que qualquer uma delas poderia transmitir por si mesma. O resultado dessa combinação poderia ser: “Rejeito com ódio completo”. “Não me deleito”, refere-se a holocaustos que de acordo com a aliança mosaica, onde o Senhor declara que, se o seu povo fosse desobediente, ele não aspiraria o aroma agradável de suas ofertas (Lv 26.31).
2. O significado dos sacrifícios. A palavra hebraica traduzida por “oferta pacífica” vem de raiz de uma palavra que significa “completar, suprir o que está faltando, pagar uma recompensa”. Denota um estado em que os mal-entendidos foram esclarecidos e os erros, corrigidos, e em que prevalecem os bons sentimentos. As ofertas pacíficas eram suadas em qualquer ocasião que apelasse à gratidão e regozijo, e também para fazer um voto. Eram ofertas de cheiro suave, como holocausto de manjares. Eram uma expressão, da parte do ofertante, de sua paz com Deus e gratidão a Ele por Suas muitas bênçãos. Incluía as ofertas voluntárias e as ofertas movidas. Era um sacrifício de sangue oferecido a Deus (Lv 3.1; NVI, sacrifício de comunhão). Uma parte do sacrifício era comida pelo sacerdote (representando a aceitação de Deus) e a outra era comida pelos adoradores e seus convidados (sacerdotes não-oficiantes ou levitas e os pobres, Dt 12.18; 16.11). Assim, Deus era o anfitrião do banquete, tendo comunhão com o ofertante e outros participantes. Este sacrifício celebrava a cobertura do pecado, o perdão de Deus e a restauração de um relacionamento correto e significativo com Deus e com a própria vida (Jz 20.26; 21.4). Havia três tipos de ofertas pacíficas: (a) ações de graças, que expressavam gratidão por uma bênção divina não solicitada; (b) votos, associados a uma promessa ou pedido feito a Deus; e (c) ofertas voluntárias, apresentadas espontaneamente como forma de adoração e louvor. OFERTAS DE MANJARES: não continha sangue nem carne. Era preparada como uma refeição e representava a apresentação diante de Deus das boas coisas da vida, para serem consumidos ou usados por Ele como quisesse (Hb 5.10). Uma exceção notável a isso é que os pobres podiam apresentar ofertas de manjares como ofertas pelo pecado. (Dicionário ilustrado da Bíblia)
3. Os cânticos. “Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus; muitos verão isso e temerão, e confiarão no Senhor”(Sl 40.3). A verdadeira adoração é prestada a Deus somente por aqueles que nasceram do Espírito de Deus. “Aquele que é nascido da carne, é carne”, disse Jesus, e, portanto, toda assim chamada adoração feita por pecadores não regenerados é carnal. Somente um coração regenerado pode cantar a nova canção Disso depreende-se que a verdadeira adoração só pode surgir a partir de um contínuo andar com Deus. Um homem que dificilmente pensa em Deus durante os seis dias da semana, não está apto a adorá-lo corretamente no sétimo dia. Se tal pessoa fala quanto está se “regozijando” na adoração, alguma coisa está errada com ele! Ele está se entretendo ou está recebendo aquela vaga sensação de desafio que o homem natural desfruta. Por outro lado, em meio à verdadeira adoração, tal pessoa deveria sentir quanto está afastada de Deus e sentir uma tristeza santa por sua negligência para com a glória do Senhor. Os cânticos faziam parte das assembleias solenes (5.23). No entanto, eles negligenciavam as duas questões mais importantes: justiça e juízo.

SINOPSE DO TÓPICO (IV)
A verdadeira adoração não consiste em rituais externos ou em cerimônias litúrgicas, mas no espírito quebrantado e num coração contrito.

CONCLUSÃO
A adoração ao verdadeiro Deus, nas suas várias formas, requer santidade e coração puro. Trata-se de uma comunhão vertical com Deus, e horizontal, com o próximo (Mc 12.28-33). Essa mensagem alerta-nos sobre o dever cristão de não nos esquecermos dos pobres e necessitados e também sobre a responsabilidade de combatermos as injustiças, como fizeram Amós e os demais profetas. Nosso tempo é caracterizado por grandes injustiças sociais e corrupção política. As pessoas não possuem mais temor a Deus nem amor ao próximo, seus interesses são a causa de suas existências. A mensagem do profeta Amós é um lamento pela situação do povo. Deus está profundamente aborrecido com o seu povo eleito; por isso o disciplinaria. É necessário que não permitamos que uma religiosidade estereotipada caracterize a nossa vida; Deus deseja não que cumpramos simplesmente rituais; ele quer que o busquemos. Os ritos só têm valor quando realizados conforme a palavra e com sinceridade. A nossa única chance real de salvação é buscar a Deus.
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Recife, PE
Outubro de 2012,
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere.


EXERCÍCIOS
1. Qual o discurso do livro de Amós?
R. Um ataque direto às instituições de Israel, confrontando os males que assolavam os fundamentos sociais, morais e espirituais da nação.
2. Qual a nossa responsabilidade pessoal?
R. É nossa responsabilidade pessoal lutar por uma sociedade mais justa.
3. O que significa a expressão “por três transgressões de Israel e por quatro, não retirarei o castigo”?
R. Significa que a medida da iniquidade está cheia e não há como suspender a ira divina.
4. Quais as três decadências nos dias de Amós?
R. Social, moral e religiosa.
5. Qual o verdadeiro sacrifício para Deus?
R. É o espírito quebrantado e o coração contrito.

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja; Comentarista: Claudionor de Andrade; CPAD;

[a] -. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001; nota textual de Mateus 5.20; pag. 935



OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
- Blog Teologia e Graça;
- HARRISON, R. K. Tempos do Antigo Testamento: Um Contexto Social, Político e Cultural. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.
- SOARES, E. O Ministério Profético na Bíblia: A voz de Deus na Terra. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.
- ZUCK, R. B. (Ed.) Teologia do Antigo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD. 2009.

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Francisco de Assis Barbosa