Classe Virtual:

3Trim2014_Lição 4: Gerados pela Palavra da Verdade




3º Trimestre de 2014

Lição 4

27 de Julho de 2014


Gerados pela Palavra da Verdade


TEXTO ÁUREO

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1Pe 1.23). Amor genuíno e perseverante por outros (veja o v. 22) somente é possível por causa do amor que Deus nos mostrou primeiro ao efetuar em nós o novo nascimento em Cristo (Jo 13.35; iJo 4.7-11).


VERDADE PRÁTICA

Somente aqueles que foram gerados pela Palavra da Verdade são guiados pelo Espírito Santo.


HINOS SUGERIDOS

50, 106, 128.


LEITURA DIÁRIA

Segunda - 1Pe 4.12,13
Alegrai-vos com a provação
S
Terça - Lm 5.21
Nossa oração pelo perdão
T
Quarta - Jo 3.3
Novo nascimento e Reino de Deus
Q
Quinta - 1Jo 5.4
A vitória sobre o mundo
Q
Sexta - 2Co 6.2
Hoje é dia de salvação
S
Sábado - 1Tm 2.4
Deus a todos quer salvar
S


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Tiago 1.9-11,16-18.
9 - Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação,
10 - E o rico em seu abatimento; porque ele passará como a flor da erva.
11 - Porque sai o sol com ardor, e a erva seca, e a sua flor cai, e a formosa aparência do seu aspecto perece; assim se murchará também o rico em seus caminhos.
16 - Não erreis, meus amados irmãos.
17 - Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação.
18 - Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas.
OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Analisar a relação entre os pobres e os ricos da igreja.
  • Defender a verdade que Deus só faz o bem.
  • Compreender que os filhos de Deus são as primícias dentre as criaturas.

PALAVRA CHAVE
Verdade: Propriedade de está conforme os fatos ou a realidade.
COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje vamos estudar acerca da qualidade relacional da igreja nos diversos níveis de interação entre pessoas geradas pela Palavra. Veremos a Epístola de Tiago apontando as distorções sociais que podem existir em um ambiente eclesiástico ou de convivência entre irmãos. A nossa perspectiva é a de que possamos nos relacionar com o outro independente da sua condição econômica e social. Ligados, sobretudo, pelo Evangelho. [Comentário: No seio da igreja local encontramos uma amostra social com todos os desníveis encontrados na sociedade secular, pobres e ricos, baixa escolaridade e formação acadêmica. Qual o contexto social em que a sua igreja local está localizada? Trata-se de uma cidade nobre? Ou da periferia? Quem são os seus alunos? Como se dá a relação social entre os seus alunos? O professor não pode planejar essa lição sem antes fazer estas perguntas e respondê-las com sinceridade. Tanto o pobre como o rico são exortados para gloriar-se em suas circunstancias. O irmão pobre é rico em tesouros espirituais. Ele tem um status privilegiado no reino de Deus. Se o termo “rico” se refere aos cristãos abastados, Tiago entende que eles também podem alegrar-se no fato de terem discernido onde o verdadeiro tesouro se encontra. Se “rico” se refere aos ímpios, a referencia à sua glória é irônica. O tema da lição de hoje é urgente, desde que, na igreja local, a diferença entre pobres e ricos deve ser atenuada pelo exemplo daquela igreja de Atos 4.35!] Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I. A RELAÇÃO ENTRE OS POBRES E OS RICOS DA IGREJA (Tg 1.9-11)

1. Os pobres na Igreja do primeiro século. Do ponto de vista social, a pobreza exclui o ser humano dos direitos básicos necessários à sua subsistência. Não é difícil reconhecer que a Igreja do primeiro século era constituída por duas classes sociais: a dos pobres e a dos ricos, tendo evidentemente mais pobres em sua composição. Uma vez que não podemos fazer acepção de pessoas (Rm 2.11; Cl 3.11), os pobres daquela época, que foram gerados pela Palavra e inseridos no corpo de Cristo — a Igreja — tinham motivos de alegrar-se no Senhor, pois além do novo nascimento, eles eram acolhidos pela igreja local (Gl 2.10). [Comentário: A Igreja primitiva era composta em sua maioria por pessoas pobres, não obstante alguns possuírem bens, a exemplo de Barnabé, que vendeu uma propriedade e entregou o valor aos apóstolos para ser repartido com a comunidade (At 4.36,37). Uma correta posição diante de Deus não tem base em motivos étnicos, e nem quaisquer distinções autogeradas entre a humanidade (Rm 9.6-13; Gl 6.15). O Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal comentando o texto de Gl 2.10, traz o seguinte: “Muito esforço seria necessário para promover a unidade no nível das raízes entre os cristãos de origem judaica e os gentios. Os apóstolos perceberam que uma maneira imediata e prática de transpor esta possível brecha seria lembrarem-se de ajudar aos pobres. Paulo assegurou que pretendia fazer isto com diligência. Ele nunca se esqueceu desta ideia. Ele continuava ansioso por ajudar os crentes pobres de Jerusalém. Nas suas viagens missionárias (especialmente na terceira), Paulo arrecadou fundos para ajudar os crentes de origem judaica que eram pobres e que viviam em Jerusalém (veja At 24.17; Rm 15.25-28; 1 Co 16.1-4; 2 Co 8-9)”. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 268-269. Russell Norman Champlin também comenta este texto e afirma o seguinte: “De conformidade com a doutrina farisaica, as três grandes colunas sobre as quais se apoia o mundo espiritual, seriam as esmolas, o serviço no templo e o estudo da Torah. As condições econômicas da época, em muitas comunidades judaicas, mas sobretudo em Jerusalém, tornavam a prática das esmolas extremamente importante. Jerusalém parece ter sido sempre uma parasita econômica, dependente das rendas do templo, que vinham de outras regiões de Israel e até mesmo de países estrangeiros. Com base nos fundos dos tesouros do templo de Jerusalém e das milhares de sinagogas é que eram sustentadas as viúvas e outros pobres, sendo dali também tirados fundos para ajudar aos desempregados. Ao mesmo tempo, entretanto, líderes gananciosos se enriqueciam mediante o uso pessoal dos fundos destinados à comunidade. Estêvão selou a sua condenação ao indicar, em seu sermão, que o templo de Jerusalém estava obsoleto, e não era mais essencial para a verdadeira adoração. Ao menos por razões financeiras, discursos dessa natureza não poderiam mesmo ser tolerados entre os judeus antigos. (Ver Atos 7:49 e ss.). Falando sobre dinheiro, ninguém deseja contribuir, hoje em dia, para a manutenção do ministério e para a ereção de escolas. Mas quando se trata do estabelecimento da idolatria e da adoração falsa, nenhum custo é poupado. A verdadeira religião sempre padecerá da falta de fundos suficientes, ao passo que as religiões falsas são sustentadas pelas riquezas materiais». (Martinho Lutero, in loc.). «...dos pobres...» Estes deveriam ser relembrados e servidos. Provavelmente apelaram a Paulo, para que os ajudasse, e a coleta foi feita, pelo menos em parte, como resposta a esse apelo. Naturalmente que isso não foi apresentado como «condição» para a aceitação de Paulo por parte dos demais apóstolos; antes, foi a única coisa que veio a ser solicitada dele, no tocante a quaisquer sugestões adicionais que os apóstolos tinham a respeito dos labores de Paulo. Os «pobres», em geral, devem ser incluídos nessa ideia, ainda que parece ter havido uma preocupação especial como os pobres de Jerusalém e das cercanias”. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 454.]

2. Os ricos na Igreja Antiga. Por vezes, os ricos são identificados na Bíblia como judeus proprietários de muitos bens e que negligenciavam as obrigações que pesam sobre os que desfrutam de tal condição (Lv 19.10; 23.22,35-55; Dt 15.1-18; Is 1.15-17; Mq 6.9-16; 1Tm 6.9,17-19). Por cuja razão, e pelas suas atitudes, eles eram frequentemente repreendidos pelas Escrituras (Am 3.10; Pv 11.28; 1Tm 6.17-19; Lc 6.24; 18.24,25). Os ricos e abastados têm a tendência a desenvolverem a arrogância, a autossuficiência e a postura de senhores poderosos, que pensam poder comprar as pessoas a qualquer preço. As Escrituras são claras em afirmar que o Reino de Deus não pode ser comprado por dinheiro algum. É possível o irmão rico ser gerado pela Palavra e tornar-se um filho de Deus? Sim, claro (Lc 18.25-26). Porém, ele pode encontrar maior dificuldade para desprender-se de suas riquezas (Mt 19.23-26, cf. v.11). É imprescindível que os mais abastados compreendam que após entregarem-se a Cristo, obedecerão ao mesmo Evangelho a que os irmãos pobres submetem-se. Aqui, torna-se ainda mais clara a verdade bíblica: para Deus não há acepção de pessoas (Rm 2.11; Cl 3.11). [Comentário: Lucas 18.25-26 nos apresenta um caso que levou Jesus a fornecer aos seus discípulos um ensinamento sobre o perigo da riqueza. Ficou evidente que um homem de posses encontra dificuldade para entrar no reino de Deus por ter o coração preso à propriedade terrena. Esta situação foi esclarecida com o Senhor acrescentando ao que foi dito um provérbio: “É mais fácil que um camelo passe pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reinado de Deus.” O rico é tentado a confiar nas coisas terrenas, como são tentados aqueles cuja riqueza é a realização intelectual ou artística, ou em outros campos. Grandes realizadores frequentemente Têm dificuldade em confiar inteiramente na misericórdia de Deus. Neste caso, se o rico, com todas as suas vantagens, não pode facilmente ser salvo, quem poderá? A declaração do Senhor ensinou os ouvintes a lançar um olhar sincero para seu próprio coração. Consternados eles perguntam quem, então, poderá ser salvo? A salvação, para o rico ou pobre, é sempre um dom de Deus (Ef 2.18). Não obstante, tornar-se bem-aventurado, ser salvo, algo impossível a partir do ser humano, pode ser viabilizado por Deus. Nenhuma pessoa é capaz de transformar seu coração por força própria, para não se apegar mais às coisas terrenas. A onipotência da graça de Deus, porém, consegue renovar o coração, para que abra mão de tudo o que é terreno por causa do reino de Deus, para que busque, ao invés de bens terrenos, o tesouro celestial. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal traz o seguinte acerca do texto de Tiago 1.11: “Tiago descreveu um acontecimento comum no Oriente Médio. A manhã é frequentemente recebida por flores coloridas do deserto, que se abrem após o frio da noite. A sua morte é repentina com o ardor do sol. Este murchar e morrer, no caso das pessoas ricas, é tão repentino quanto a morte das flores silvestres. A morte sempre se intromete. A vida é incerta. O desastre é possível a qualquer momento. O pobre deve ficar feliz porque as riquezas não significam nada para Deus; caso contrário, as pessoas pobres seriam consideradas sem valor. O rico deve ficar feliz porque a prosperidade não significa nada para Deus, porque a prosperidade é facilmente perdida. Nós encontramos a verdadeira riqueza quando desenvolvemos a nossa vida espiritual, e não os bens materiais. Tiago inicia a sua carta certificando-se de que os crentes, tanto os pobres como os ricos, se vejam sob a mesma luz diante de Deus (veja Gl 3.28; Cl 3.11). Tiago convoca os seus leitores a encontrarem esperança nas promessas eternas de Deus.” Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 665.]

3. Perante Deus, pobres e ricos são iguais. A igreja local deve receber a todos no espírito do Evangelho, isto é, como membros da família de Deus, pois através da salvação em Cristo, independentemente da condição social, todos têm a Deus como Pai (Rm 8.14), e a Jesus como irmão (Lc 8.21). Somos coerdeiros, juntamente com Cristo, de uma herança eterna (1Pe 1.4), pertencentes à santa família de Deus (Ef 2.19) e cidadãos de um reino imutável (Hb 12.28). Na família de Deus há lugar para todo ser humano justificado por Cristo. Portanto, o irmão pobre e o irmão rico não devem se envergonhar de suas condições sociais. Se o Evangelho alcançou seus corações, o rico saberá biblicamente o que fazer com a sua riqueza. E o pobre, de igual forma, como viverá sua pobreza. O importante é que Cristo em tudo seja exaltado! [Comentário: Para os judeus, o fato de serem descendentes de Abrão já os tornava filhos de Deus, mas para Paulo, o termo “filhos de Deus” tem um novo significado. Os verdadeiros filhos de Deus são aqueles que são guiados pelo Espírito de Deus como ficou provado no seu estilo de vida. Os crentes não têm apenas o Espírito (Rm 8.9), eles também são guiados por Ele. Em Romanos 8.14, O “...espírito de adoção...” é outro privilégio daqueles que estão em Cristo Jesus. Todos os que são de Cristo são assumidos na relação de filhos de Deus. Comentando Efésios 2.19, o Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal escreve: “Os gentios não são mais estrangeiros nem forasteiros. Estas palavras descrevem pessoas que vivem em um país que não é o seu, sem qualquer dos direitos de cidadania daquele país. Os gentios eram “estrangeiros” em relação aos judeus, bem como a qualquer esperança (sem Cristo) de um relacionamento com Deus (2.12). Esta era a sua antiga posição. Por causa de Cristo, entretanto, os gentios tornaram-se cidadãos, com todos aqueles que haviam sido chamados para serem os concidadãos dos Santos. Os judeus e os gentios que depositam a sua fé em Jesus Cristo como seu Salvador tornam-se membros da família de Deus”. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 328. O Rev. Hernandes Dias Lopes, pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-ES, defende em seu livro “Efésios Igreja, a noiva gloriosa de Cristo, o seguinte: “Em primeiro lugar Paulo fala sobre uma nação (2.19a). “Assim, não sois mais estrangeiros, nem imigrantes; pelo contrário, sois concidadãos dos santos.” Israel era a nação escolhida de Deus, mas eles rejeitaram seu redentor e sofreram as consequências disso. O reino foi tirado deles e dado a outra nação (Mt 21.43). Essa outra nação é a igreja (I Pe 2.9). No Antigo Testamento, as nações foram formadas pelos três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé. No livro de Atos, vemos essas três famílias unidas em Cristo. Em Atos 8, um descendente de Cam é salvo, o ministro da fazenda da Etiópia. Em Atos 9, um descendente de Sem é salvo no caminho de Damasco, Saulo de Tarso, o qual se tornou o apóstolo Paulo. Em Atos 10, um descendente de Jafé é salvo, Cornélio. O pecado dividiu a humanidade, mas Cristo faz dela uma nova nação. Todos os crentes das diferentes nacionalidades formam a nação santa que é a igreja. Francis Foulkes diz que em relação ao povo da aliança de Deus, os gentios eram xenoi e paraikos, “estrangeiros” e “imigrantes”, isto é, pessoas que, ainda que vivessem no mesmo país, tinham, contudo, os mais superficiais direitos de cidadania. Essa era a situação anterior, mas, de agora em diante, já não o é. Nas palavras do apóstolo, agora são “concidadãos dos santos”. Em segundo lugar, Paulo fala sobre uma família (2.19b). “[...] e membros da família de Deus.” Pela fé, entramos para a família de Deus, e Deus tornou-se nosso Pai. Essa família está no céu e também na terra (3.15). Os crentes vivos na terra e os crentes que dormem em Cristo no céu; não importa a nacionalidade, somos todos irmãos, membros da mesma família. Não deve haver mais barreira racial, cultural, linguística nem econômica. Somos um em Cristo. Temos o mesmo Espírito. Fomos salvos pelo mesmo sangue. Temos o mesmo Pai. Somos herdeiros da mesma herança. Moraremos juntos no mesmo lar”. LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, a noiva gloriosa de CRISTO. Editora Hagnos. pag. 67-68.]
SINOPSE DO TÓPICO (1)
Na igreja do primeiro século, pobres e ricos eram acolhidos em amor.

II. DEUS SÓ FAZ O BEM (Tg 1.16,17)

1. Não erreis (v.16). Com essa advertência o meio-irmão do Senhor não está afirmando a doutrina da “santidade plena” ou perfeccionista: a de que o homem, uma vez remido, não mais pecará. Tal palavra tem como propósito conclamar o crente a não dar ouvidos à “voz” da concupiscência carnal. Recapitulando a mensagem dos versículos 12 a 15, que tratam do tema da tentação, os versículos 9 a 11 formam uma introdução ao tema da tentação, ao passo o que versículo 16 é uma advertência para os crentes não se curvarem aos desejos imorais e infames do mundo, pois Deus é a fonte de tudo o que é bom. Logo, não podemos dar crédito àquilo que é mau. [Comentário:  Não vos enganeis a respeito do quê? Seria o parágrafo anterior encerrado por este versículo, e teria relação com alguma crença segundo a qual a pessoa poderia lançar a culpa sobre Deus, ou abrigar a concupiscência, ou o pecado, sem que sobreviessem as más consequências? Ou será que esse versículo se refere ao engano sobre de onde vêm as provações (Tg 1.13)? Ou será que esse versículo é cabeçalho do parágrafo seguinte, referindo-se à falha em perceber que Deus nos dá o bem e nos traz salvação? Estruturalmente, a terceira opção é a preferível, porquanto o termo que designa os destinatários da carta, meus amados irmãos normalmente introduz um novo parágrafo. O perigo por trás do aviso de Tiago para que não nos enganemos/erremos é a tentação de crer que Deus não se importa, ou que não nos ajudará, ou até mesmo que possa estar trabalhando contra nós. A imagem não é agradável. Se chegarmos a crer que estamos sozinhos, é porque fomos enganados ou erramos. Se perdermos a confiança em Deus, significa que fomos enganados. Se ousarmos acusar a Deus de ser o tentador, estaremos terrivelmente enganados.]

2. Todo dom e boa dádiva vêm de Deus. Um dom de Deus, como a sabedoria que torna uma pessoa espiritualmente madura (v.4), não pode ser recebido pelo crente através de esforço humano. Quem o distribui é Deus. Este dom é fruto da graça do Pai para nós. Num tempo onde o ascetismo religioso tende a tirar o foco da glória de Deus e da sua benignidade, tornando o ser humano “digno” do céu, precisamos lembrar que a nossa vida espiritual não depende de disciplinas humanas para receber dádivas de Deus. Depende de um relacionamento livre, espontâneo e sincero com o Pai das Luzes mediante o seu Filho, Jesus Cristo, e na força do Espírito Santo. [Comentário:  Tiago afirma que a origem de todo bem está em Deus. Ele declara expressamente que o Pai celestial é a fonte de todo bem verdadeiro; e mais: ao se referir a Deus como o “Pai das luzes”, Tiago está enfatizando que nEle não há dúvida de que muitas das crises espirituais que muitos cristãos têm vivenciado nos dias de hoje está relacionada à sua má compreensão de Deus. Como pai das luzes”, Tiago está enfatizando que nEle não há trevas, isto é, não há fingimento, falsidade, maldade, mentira, erro, imperfeição. E Ele não muda: nEle, “não há mudança, nem sombra de variação”. Como o próprio Deus afirma através da instrumentalidade do profeta Malaquias: “Eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6). Ou seja, Deus é e continuará sendo a Fonte de todo bem.]

3. A origem de tudo o que é bom está no Pai das Luzes. Ao escrever que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto”, Tiago declara que apenas as boas virtudes vêm de Deus. Não há sombra de variação no Pai das Luzes, isto é, nEle não há momentos de trevas e outros de luzes. Só há luz. Ele não muda e é bom! Não faz o mal aos seus filhos (Lc 11.11-13). Infelizmente, muitos têm uma visão turva de Deus como se Ele fosse um carrasco pronto a castigar-nos na primeira oportunidade. Não devemos falar sobre o Pai desta maneira, lembremo-nos do ensinamento joanino que fala sobre sermos defendidos e advogados por Jesus, o Filho de Deus (1Jo 2.1,2). [Comentário:  Em Lucas 11.11-13 Jesus explicou que os seus seguidores podem confiar que Deus atenderá as suas orações. Se nem os seres humanos que são maus pensam em dar a uma criança uma serpente em lugar de um peixe, ou um escorpião em lugar de um ovo, então quanto mais um Deus santo irá reconhecer e atender os pedidos dos cristãos? Com estas palavras, Jesus revelou o coração de Deus Pai. Deus não é egoísta, invejoso ou mesquinho; seus seguidores não precisam implorar nem humilhar-se quando vêm com seus pedidos. Ele é um Pai amoroso que entende, cuida, conforta e voluntariamente dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem. Como o Espírito Santo é a maior dádiva de Deus e Ele não se recusará a dá-la a quem a pedir, os crentes também podem contar com a provisão de Deus para todas as suas necessidades menores. Como o Pai celestial é perfeito trata bem os seus filhos! O presente mais importante que Ele poderia dar é o Espírito Santo (At 2.1-4), que Ele prometeu dar a todos os crentes depois da sua morte, ressurreição, e volta para o céu (Jo 15.26). Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 1. pag. 399.]
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Tudo o que é bom vem de Deus, pois nEle não há momento de bondade e maldade. Ele é sempre bom!

III. PRIMÍCIAS DE DEUS ENTRE AS CRIATURAS (Tg 1.18)

1. Algo que somente Deus faz. A regeneração é um milagre proveniente do Pai das Luzes, segundo a sua vontade (v.17). Foi Ele que nos gerou pela Palavra da Verdade. Ser gerado de novo é uma ação realizada exclusivamente pelo Pai das Luzes através do Santo Espírito. Ele limpa o homem dos seus pecados (Is 1.18), dando-lhe perdão e implantando-lhe um novo caráter. Aqui, acontece o que o nosso Senhor falou aos seus discípulos: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14.23). O Pai é a fonte de nossa vida espiritual (Jo 1.12,13). [Comentário: “Vinde então, e argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã”( Is 1.18). Este é um dos mais citados versículos de Isaías, o clamor apaixonado de reforma no qual YAHWEH deixou de lado, por um minuto, Suas terríveis ameaças e convidou homens humildes a raciocinar com Ele. A ideia do versículo é a correção através de um discussão arrazoada na qual a verdadeira natureza das coisas é exposta, e o desejo pela mudança é instilado. A regeneração é algo que somente Deus faz. Salvação é uma ação concluída que tem um efeito presente. Em suas primeiras cartas, Paulo geralmente refere-se à salvação ou como um acontecimento futuro (Rm 5.9-10) ou como um processo presente (1Co 1.18; 2 Co 2.15). A única exceção é Romanos 8.24, onde Paulo refere-se à salvação como acontecida no passado, mas ainda por ser completada no retorno de Cristo: “Porque, na esperança, fomos salvos”. Algo muito importante no texto de Jo 14.23 - “...faremos nele morada...” e que deve nos gerar temor e tremor é que como o Espírito Santo habita no crente, do mesmo modo o fazem o Pai e o Filho (Rm 8.9-11; Ap 3.20)]

2. A Palavra da Verdade. Naqueles dias, parte da igreja estava dispersa, sofrendo muitas tribulações. Para superá-las era preciso uma inabalável convicção de que, apesar das lutas, ela não havia deixado de ser as primícias do Senhor entre as criaturas. Por esse motivo, Tiago enfatiza a expressão “Palavra da Verdade”. Fomos gerados e enxertados pela Palavra que salva a nossa alma (v.21). Assim, a despeito de todas as circunstâncias difíceis da vida, podemos aplicar essa verdade afirmando que somos filhos de Deus, as primícias entre as criaturas do Senhor. [Comentário: Devemos rejeitar toda imundícia e acúmulo de malícia. Segundo o texto grego, esta é uma ação definitiva. Por que devemos fazer isto? O progresso na nossa vida espiritual não pode ocorrer a menos que vejamos o pecado como ele é, deixemos de justificá-lo, e decidamos rejeitá-lo. A imagem das palavras de Tiago aqui nos apresenta livrando-nos dos nossos maus hábitos e atos como quem se despe de roupas sujas. Depois de “nos livrarmos”, precisamos receber com mansidão a palavra de Deus, procurando viver de acordo com ela, porque ela foi enxertada em nossos corações e se torna parte do nosso ser. Deus nos ensina desde as profundezas das nossas almas, com o ensino do Espírito e com o ensino de pessoas orientadas pelo Espírito. O solo no qual a palavra é plantada deve ser acolhedor, para que ela possa crescer. Para tornar o nosso solo acolhedor, precisamos desistir de quaisquer impurezas nas nossas vidas. A Palavra de Deus torna-se uma parte permanente de nosso ser, orientando-nos todos os dias. A palavra implantada é suficientemente forte para poder salvar a nossa alma. Quando absorvemos as características ensinadas na Palavra, estas se expressam no nosso modo de viver. As provações e as tentações não podem nos derrotar se estivermos aplicando a verdade de Deus às nossas vidas. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 668]

3. O propósito de Deus. A salvação é a maior bênção de Deus para a humanidade. O propósito divino não é primeiramente abençoar o crente com bênçãos materiais, mas fazer dele primícias de suas criaturas: os salvos pela graça mediante a fé (Ef 2.8). No Antigo Testamento, as primícias eram a colheita do melhor fruto (Lv 23.10,11 cf. Êx 23.19; Dt 18.4). Ao referir-se às primícias, Tiago dizia aos primeiros irmãos, notadamente judeus, que eles foram escolhidos como primícias do Evangelho. Os primeiros de muitos outros que Deus havia começado a colher. Alegre-se no Senhor! Você faz parte das primícias da sua geração. Escolhido por Deus e nomeado por Ele para proclamar as virtudes do Senhor neste mundo. [Comentário: “...ele nos gerou...” literalmente “deu a luz” refere-se à graça da regeneração pela qual fomos adotados na família de Deus (1Pe 1.23). Quando o autor menciona "nós", a quem ele se refere? Aos leitores em geral ou aos cristãos? Os comentaristas têm pontos de vista divergentes. A verdade é significativa em qualquer um dos casos. Se entendermos "nós" como que significando homens criados à imagem de Deus, o significado é claro. Deus nos fez da maneira que somos — segundo a sua vontade. A razão para nossa liberdade, provas, perplexidades e problemas morais envolvendo escolha é que deveríamos ser semelhantes a Ele — como primícias das suas criaturas. Ele nos criou com liberdade para escolher o mal ou com liberdade para escolher o bem para que fôssemos em certo sentido os criadores do nosso próprio espírito, a glória coroada da sua palavra criativa (cf. Hb 11.3). Podemos, no entanto, com sólidas evidências exegéticas entender "nós" como que referindo-se à Igreja cristã. Robertson coloca o seguinte título para esse versículo: “O Novo Nascimento”. Deus, que é nosso Pai por meio da criação, é também nosso Pai por meio da redenção. Homens redimidos do pecado são a glória coroada dos propósitos de Deus para a vida humana — “os primeiros espécimes da sua nova criação” (Phillips). A palavra da verdade é a verdade do evangelho. Knowling vai mais adiante e afirma: “Não podemos esquecer que o nosso Senhor (Jo 17.17-19) fala da ‘palavra’ que é verdade, por meio da qual os discípulos devem ser santificados”. O propósito final de Deus é conduzir-nos à vitória por meio dos nossos testes para tornar-nos semelhantes a Ele em santidade e amor. A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 160-161.. Comentando Tiago 1.18, Russell Norman Champlin·escreve o seguinte: “...primícias...» Um filho primogênito tinha privilégios superiores: tinha o lugar de precedência na família, exercia autoridade sobre seus irmãos mais novos, recebia uma bênção especial de seu pai, recebia a autoridade paterna, recebia dupla porção na herança, era tratado especialmente por seus pais, para que não fosse alienado. (Dt 15.16). Em sentido espiritual, Cristo é o primogênito acima de todos. Nele, os crentes chegam a participar de seus poderes e privilégios espirituais. Porém, na qualidade de primogênitos, eles também são primícias. São a melhor porção da colheita, dedicada a Deus, como o eram as primícias no antigo Israel. Deus era honrado com o oferecimento de suas vidas; a oferta dos primogênitos consagrou a humanidade inteira, mostrando que todos os homens, se o quiserem, podem participar de idênticos benefícios (ver Rm 11.16). (Ver também Ap 14.4. onde a igreja é chamada de primícias.). Em 1Co 15.20,23 o próprio Cristo recebe esse titulo, o que indica que ele ocupa o primeiro lugar em uma imensa companhia, que será levada à vida eterna e à ressurreição. (Ver Jr 2.3; 2Ts 2.13). “...das suas criaturas...” Deus possui uma vasta criação: e todos os seres inteligentes da mesma são passíveis de redenção: e esse é o plano divino relativo a eles. Ele mostra o que pode fazer pelos mesmos, através do que tem feito à igreja. A igreja, pois, é o modelo da redenção divina. Na antiga nação de Israel, as «primícias» de todas as coisas vivas, homens, gado, cereal, etc.. eram consagradas ao Senhor. Essa consagração de tudo santificava a nação inteira, tornando-a apta para ser usada por Deus (ver Ro 11.16). Assim também, no plano espiritual, o fato que Deus separou as primícias mostra-nos que, eventualmente, tudo se beneficiará da expiação e da vida ressurreta de Cristo. O produto da terra era de tipo mui diversos, como a cevada, o trigo, o vinho, o azeite, o mel, as novas árvores frutíferas e todo o produto da terra (ver Lv 23.10-14; Ex 23.16; 23.16,17; Dt 18.4: Lv 19.23,24 e Dt 26.2). Mediante o uso desses itens, os sacerdotes viviam. No terreno espiritual, as coisas (ou seres) de muitas espécies e gradações, se beneficiam daquilo que Cristo realizou, e tudo eventualmente, será consagrado a Deus, embora com níveis diversos de bem-estar e de glória. Toda a criação, por fim, participará, de algum modo, na glorificação dos filhos de Deus. (Ver Rm 8.20,21)”. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 27.]
SINOPSE DO TÓPICO (3)
A partir da promessa da salvação, Deus colhe as suas primícias (os salvos) dentre as criaturas.

CONCLUSÃO
Inseridos no processo de aperfeiçoamento espiritual, sofremos os mais diversos tipos de provações, independentemente de nossa posição social, econômica e cultural. Tais situações aperfeiçoam-nos e amadurecem-nos como pessoas. Quando alguém é gerado pela Palavra da Verdade, ele é chamado pelo Pai a viver o Evangelho em fidelidade. Não podemos nos esquecer do nosso maior desafio: fazer o Evangelho falar num mundo dominado por relacionamentos distorcidos. Somos o Corpo de Cristo, a Igreja de Deus: a coluna e firmeza da verdade (1Tm 3.15). [Comentário: Vários tipos de circunstâncias de provação podem acometer os crentes, independente de sua condição social. Tiago exorta tanto o pobre como o rico a gloriar-se em suas circunstancias, sabendo que a herança no reino de Deus é baseada na soberana eleição de Deus. Ele não escolhe de acordo com os méritos ou status deste mundo. Os padrões deste mundo não tem nenhuma influencia sobre a graciosa eleição de Deus (1Co 1.28-29; Ef 1.4). Tiago não deixa espaço para nenhuma forma de misticismo da pobreza, pelo qual a pobreza em si torna a pessoa aceitável diante de Deus (Sl 9.18). Vimos acima que o objetivo de Deus é voltar a clarear o mundo obscurecido pela grande rebelião. “As nações hão de andar na luz dele e os reis no fulgor de Deus” (Is 60.3), “até que Deus seja tudo em todos” (1Co 15.28). Jesus é o resplendor da glória de Deus (Hb 1.3), é “luz, que veio ao mundo”. Nele a luz vinda de Deus novamente nos alcançou. Ele é a luz do mundo (Jo 8.12). Sob seu reflexo também nós somos “luz do mundo” (Mt 5.14). Mais do que isso: a luz está em nós por meio do Espírito dele, tornando-se transparente em nós. “Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2Co 4.6). Quando permanecemos singelamente voltados para nosso Senhor e abertos à influência de sua palavra e seu Espírito, ele nos garante que seremos “luz do mundo”.]
“NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere!

Hoje, de férias em Campina Grande-PB
Julho de 2014.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2009.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição, RJ: CPAD, 2007.
EXERCÍCIOS
1. A Igreja do primeiro século era constituída por duas classes sociais. Quais eram elas?
R. A dos pobres e a dos ricos, tendo evidentemente mais pobres em sua composição.
2. Quem eram os ricos identificados na Bíblia?
R. Os ricos são identificados na Bíblia como judeus proprietários de muitos bens e que negligenciavam as obrigações que pesam sobre os que desfrutam de tal condição (Lv 19.10; 23.22,35-55; Dt 15.1-18; Is 1.15-17; Mq 6.9-16; 1Tm 6.9,17-19).
3. Quem pode distribuir o dom da sabedoria?
R. Deus.
4. Ser gerado de novo é uma ação realizada exclusivamente por quem?
R. Ser gerado de novo é uma ação realizada exclusivamente pelo Pai das Luzes através do Santo Espírito.
5. Qual é a maior bênção de Deus para a humanidade?
R. A salvação.


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
-. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2014 - CPAD - Jovens e Adultos;
-. Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital);
-. Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;

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